Covid-19: diretora revela que não transferiu pacientes de UPA por falta de vagas

Covid-19: diretora revela que não transferiu pacientes de UPA por falta de vagas

Após o registro de dois óbitos pelo novo coronavírus, a diretora técnica da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Trapiche da Barra, Sandra Gico, prestou esclarecimentos aos deputados estaduais, nesta segunda-feira (6). Durante a sessão em tempo real, ela confirmou que houve a tentativa de transferência dos pacientes – que morreram na UPA -, para hospitais da rede estaduais, mas não havia leitos disponíveis para recebê-los. 

Sandra Gico revelou ao deputados que não houve falha no atendimento na UPA, que seguiu todos os cuidados preconizados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde (MS), mas que não havia leitos de isolamento disponíveis na rede pública, que já estava com a capacidade esgotada. “Na ocasião os leitos do estado não estavam disponíveis. Para aqueles dois pacientes não havia vaga nem na rede de referência, nem na rede privada. Na UPA, esses pacientes receberam todos os cuidados”, declarou a diretora técnica da Unidade.

Mais uma vez, o deputado Davi Maia (DEM) colocou em xeque a versão oficial do governo Renan Filho sobre a quantidade de leitos disponíveis em Alagoas diante dos caso de coronavírus no estado. “O que ficou claro foi a divergência de informações do governo do Estado e o que é passado à população. Tudo que o governador anuncia, pelas palavras da diretora, não são verídicas. O governador anunciou no dia 16 de março que as UPAs teriam 24 UTIs e isso ficou claro que não existe nenhuma, porque a UPA não foi criada para criar leitos de UTI. Também ficou claro que o governador desrespeitou todo o protocolo de informação e cuidado com o paciente ao anunciar a morte nas suas redes sociais. Também ficou claro que essas duas mortes ocorreram porque não houve leitos de retaguarda na UTI para receber. O governador anunciou que tinham leitos, mas não tinham”, explica o deputado Davi Maia (DEM).

“É preciso passar os dados reais. De acordo com a diretora, só estão fazendo testes em que está em estado grave, por isso que a subnotificação é exagerada em Alagoas. Não são números, nem dados reais. Na quinta-feira estaremos na reunião da Comissão de Saúde da Assembleia recebendo o secretário Alexandre Ayres e questionaremos ele justamente com base nos dados que foram passados pela diretora da UPA. Queremos saber do secretário quais são os dados reais”, acrescenta Maia.  No dia 31 de março foi confirmado o primeiro óbito por Covid-19 em Alagoas, o segundo ocorreu no último dia 3.

NOTA OFICIAL – INSTITUTO ISAC EM ALAGOAS

O Instituto Saúde e Cidadania – ISAC, gestor das UPAs Trapiche da Barra, Benedito Bentes, Irmã Dulce (Marechal Deodoro) e do Hospital IB Gatto (Rio Largo) vem esclarecer os fatos relatados pela diretora técnica, doutora Sandra Gico, relacionados ao atendimento de um paciente, que faleceu na UPA Trapiche, com Covid-19.

SESSÃO

A mesma foi convidada pela Assembleia Legislativa do Estado para uma reunião virtual com a 9° Comissão de Saúde e Segurança Pública. Por reconhecer a importância da transparência, aceitou o convite e participou de uma reunião virtual com vários parlamentares, realizada no dia 6 de abril de 2020. 

Na oportunidade, foi informado que 

As UPAs geridas pelo ISAC são habilitadas pelo Ministério da Saúde e dispõem de Área Vermelha, com equipamentos e insumos para atendimento e estabilização clínica de pacientes graves, com risco de morte iminente. 

SUPORTE DO GOVERNO

A Nota disse que governo de Alagoas tem fornecido equipamentos (ventiladores mecânicos, monitores multiparamétricos, etc.) às UPAs Benedito Bentes e Trapiche da Barra, bem como equipamentos de proteção individual, entre outros. Com a ampliação dos leitos para pacientes Covid-19, a UPAs citadas contam com a regulação estadual para transferência de pacientes, de acordo com a necessidade.

POSIÇÃO DO MINISTÉRIO DA SAÚDE

O Ministério da Saúde reconhece a importância das UPAs na composição de unidades de saúde para enfrentamento da pandemia, estabelecendo o fluxo para acesso e atendimento aos usuários com suspeita do Covid-19. Reforçamos que todo o atendimento habitual preconizado continua sendo realizado normalmente.

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