ALE debate manchas de petróleo na costa brasileira

ALE debate manchas de petróleo na costa brasileira

Identificadas pela primeira vez no início de setembro, as manchas de óleo já atingiram pelo menos 130 praias do Nordeste e 10 municípios de Alagoas com 13 locais afetados. Preocupados com esta situação os membros da comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa realizaram nesta quinta-feira, 10, uma reunião com representantes do Instituto do Meio Ambiente (IMA), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), do Instituto Biota de Conservação e do comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF). Participaram da reunião o presidente da Comissão de Meio Ambiente, deputado Davi Maia (DEM) e os deputados Breno Albuquerque (PRTB) e Inácio Loiola (PDT).

Davi Maia ressaltou que o momento é muito sério e que é preciso um esforço muito grande do Estado, dos órgãos e das ONGs, da população e das prefeituras que foram atingidas por esta mancha. “A Assembleia, através da comissão de Meio Ambiente, esteve em algumas cidades e encontrou um cenário que requer uma ação emergencial, ou seja, uma atitude de todos os órgãos envolvidos. Por isso convocamos todos para saber como o Estado pode trabalhar nessa situação de maneira mais organizada”, disse.

Comissão de Meio Ambiente realiza reunião com órgãos ambientais

O coordenador de Gerenciamento Costeiro do IMA, Ricardo César, informou que em Alagoas existe uma força tarefa, envolvendo o próprio IMA, Ibama, Secretaria de Meio Ambiente, Capitania dos Portos, Batalhão de Policiamento Ambiental e alguma ONGs buscando soluções rápidas e emergenciais para enfrentar a questão. De acordo com o representante do IMA, a equipe alagoana trabalha junto com a força tarefa Nordeste. “Trabalhamos com acompanhamento e monitoramento com o comando do Ibama e a Marinha do Brasil”. Ricardo César alertou que é importante que a população evite o contato direto com o material. “Estamos fazendo um trabalho coletivo e as praias aqui de Alagoas estão praticamente limpas, mas ainda existem alguns fragmentos com manchas de óleo, ao avistar manchas de óleo nas praias é importante informar à prefeitura local imediatamente”, alertou.

O presidente do CBHSF, Anivado Miranda, confirmou que as manchas de óleo já chegaram ao rio São Francisco e que está preocupado e trabalhando para que as manchas de óleo não causem maiores problemas. “As manchas apareceram no encontro do litoral alagoano com o litoral sergipano, no Pontal do Peba, inclusive na foz do rio propriamente dita, felizmente ainda não atingiu o manguezal, mas é preciso entrar num estado de alerta porque não se sabe os volumes deste óleo que ainda poderão chegar. A região tem também um banco de camarão importantíssimo, além de ser área de desova de tartarugas e ter uma coleção de manguezais”, disse.

A representante do Instituto Biota de Conservação, a bióloga Luciana Salgueiro disse que o órgão está bastante preocupado com as manchas e que se fazem necessárias atitudes emergenciais com o objetivo inicial de fazer o contingenciamento destas manchas. “As proporções disto são incalculáveis para os animais e a flora marinha. Os riscos começam inicialmente nas algas, pois camadas densas de óleo acabam por bloquear a entrada de luz solar na água, por isso se faz necessário que as autoridades se unam para traçar um plano de como lidar com esta situação no sentido de trabalhar na reabilitação de animais e na melhor visualização de como estão acontecendo as coisas no cenário marinho”, afirmou.

Ao final de reunião ficou acordado que a comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa de Alagoas irá entrar em contato com a comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa de Sergipe com o objetivo de ver quais são as ações que estão sendo tomadas no estado vizinho. Os deputados que compõem a comissão de Meio Ambiente irão ainda fazer uma visita ao Ibama e à Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos para ver como está sendo conduzido o processo de contenção desta mancha e a limpeza das praias.

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